segunda-feira, 17 de março de 2025

O tempo não existe, mas ele passa

 Tô estudando muito esses dias sobre a noção de tempo. Meu professor diz que ele não existe e, normalmente, ele sabe muito bem o que fala, mas ainda não consegui aceitar a coisa.

Acabei de ver uma foto de exato ano atrás (esse Facebook que não deixa a gente esquecer nada), e fiquei mais em dúvida ainda. 

Meus netos, na minha cozinha, com uniformes iguais, almoçando como fizeram, pelo menos duas vezes por semana, durante todo o ano letivo.

Para variar (e também porque estou me recuperando de uma leve dengue), acabei chorando. Coisa que faço, por causa desse assunto, algumas vezes na semana, desde o finalzinho do ano passado.

Acabou-se o tempo de buscar os quatro, escutar suas conversas, descobrir novidades sobre eles, ajudar a estudar para prova, resumindo, acabaram-se meus dias tão desejados de avó presente.

Agora estão em escolas diferentes, até em cidades diferentes. Os daqui ainda vejo, mas rapidinho, do caminho da escola para casa; os de lá (lá é Indaiatuba) , só quando esse deus que não existe quiser. 

Não tem mais almoço junto durante a semana, não tem mais conversa (e olha que com os mais velhos já tava difícil), não tem mais estudo nem risada nem pão de queijo nem Nutella nem assistir YouTube nem nada. 

Eu já sabia disso ano passado, e curti muito as últimas vezes. Quando o Lili me disse, no último dia, que era a última vez que eu pegava ele na escola, meu coração quase explodiu. E continua assim até agora. 

Então não venha me dizer que o tempo não existe. Existe sim, e levou embora muito da minha convivência com os meus amores (assim como aquela porcaria da pandemia).

Não sou ingrata. Sei que vivi com eles nos últimos dois anos uma delícia de vida, que trazia junto minhas filhotas para um café e uma conversa. 

Mas mudança nunca foi meu forte, apesar da vida adorar me tapetar nesse quesito.

Tô brava e ponto final. Tô com saudade, triste, zangada, e com o perdão da porra da palavra, puta da vida. 

Mas sei que eles estão bem, todos gostando das respectivas escolas. De vez em quando tenho notícias e vejo que foram boas escolhas. 

Mas que eu queria estar mais perto, eu queria. 

Tempo, tem como voltar? 

quarta-feira, 12 de março de 2025

Conquista

 Tô aqui comemorando.

Depois de seis anos, consegui me livrar da famosa "gordura no fígado".

De uns anos para cá cada vez que vou a um médico, aparece alguma coisa que me leva a outro. 

Como diz meu filho, eu sou jovem há muito tempo e isso tem um preço: as "peças" vão apresentando defeito e precisam de manutenção. 

Mas, notícia boa, dá para arrumar a maior parte delas!!!

Só tem um porém... Tem que fazer exercício físico! Nunca ouvi tanto isso, de tantos médicos diferentes, como no ano passado e no anterior. Até a oftalmologista falou isso! 

Tenta aqui e lá, consegui no ano passado acomodar minha ojeriza, o tédio de repetir o mesmo movimento, a preguiça, a falta de vontade, as desculpas (sempre tem alguma coisa mais importante para fazer), e, com ajuda de um bom profissional, montar um esquema de treino que não me faz querer fugir. 

Agora, com esse resultado, minha mente deve se convencer de que essa coisa é importante e deve ficar mais fácil ainda.

Descobri que preciso provas de sucesso para me manter numa atividade. Tem que servir para alguma coisa, e eu tenho que ver que serviu, senão, eu desisto.

Diga - se a Hotmart e afins, que guardam muitos cursos comprados e parados ...

Falta de vergonha na cara, né? 

Vou lá pegar um deles e fazer até o fim agora! 

sábado, 1 de março de 2025

Ele chegou - Parte 6

 



Como eu disse no último "escrito", ganhei dois amores nos últimos anos. 

Esse é o texto que escrevi, para o último deles. 


E você chegou finalmente, meu leãozinho.

Uns dias mais cedo e seria também presente de aniversário para mim. Porque já veio como um presente de vida.

Pegar você no colo a primeira vez foi um sonho. Vc se aconchegou e ficou quietinho, eu observando a sua respiração, vendo um sorrisinho escondido (vó vê até o que não tem quando é neto), sentindo seu coração bater, devagar e forte. 

Naquele momento eu soube que seríamos muito bons amigos. Vislumbrei aventuras, conversas, trocas profundas, leão com leão, sabe? Já tenho bastante prática de ser avó agora. Já era muito boa, agora estou melhor ainda. Vai sobrar para você...

Vovó sempre vai estar com vc, gatinho. Te amo de montão. 



Ela chegou - parte 5

 




Contei que nesses tempos sem escritos ganhei mais dois amores? Transcrevo o texto do face, contando a chegada da primeira.


Tecnologia pode ser uma coisa mágica...Imagina a cena: eu e a outra avó da Helena, a Lydia, na sala de espera, enquanto a Helena vinha ao mundo (naquele hospital só o pai podia ficar junto). Família toda esperando e, claro, whats app a toda. Já nasceu? Tá tudo bem? Enquanto conversávamos as duas, tentando nos distrair da ansiedade, respondiamos como podíamos as perguntas de todos. E o tempo todo de olho na porta do elevador, por onde meu filho surgiria para nos dizer que podíamos subir.

De repente, uma foto mandada pelo meu filho brilha no celular da Lydia e, segundo depois, no meu. Era a Helena, linda, forte, mostrando ao mundo que vinha com vontade.

Choramos, olhando pela primeira vez a nossa nova luz.

Olhamos uma para a outra e, num abraço forte, nos demos os parabéns pela nova neta. Finalmente. Tudo estava em paz. Pai, mãe e filha estavam juntos e bem.

Enquanto espalhavamos a foto nos grupos das famílias e "ouvíamos " a comemoração em cada casa e cada coração através das palavras escritas, me dei conta que, de certo modo, estávamos lá, junto com ela, todos nós, conversando com meu filho e nora e entre nós, nos primeiros minutos de vida da nossa borboletinha.

Éramos uma grande família, mandando toda a energia do mundo e agradecendo a bênção que nos havia sido concedida.

Ela veio cercada de amor. Amor que viajou no tempo e no espaço (temos muitos parentes e amigos de fora da cidade) como os átomos que formam cada parte dos nossos corpos. 

Nessa hora senti, de verdade, que todos somos um.

E assim me sentia quando abracei logo depois o meu filho, agora pela primeira vez como pai.

Que assim seja, para todo o sempre.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

O tempo passa e a vida vale

 Tô aqui lendo meu último escrito de 2016... Naquela época já dava para perceber para onde estava indo a minha sanidade.

2017 foi o pior ano da minha vida. Vivi esse ano no tranco, me assustando com o vácuo, com o vazio, com a desesperança de acordar todo dia. 

Foi o ano em que fiz 60. Virei, do dia para a noite, uma idosa. Agora tinha cartão para estacionar em lugares melhores, entrava no cinema de graça (agora não só meia), andava de ônibus em Sampa sem pagar (e com o plus da cara de espanto dos motoristas, porque eu não parecia idosa). 

Não estava com depressão por causa da idade. Até me divertia me ver como alguém mais velho, e, quem sabe, até mais sábio. Uma das coisas que veio com a idade (não necessariamente no dia do aniversário) foi o foda-se suave, aquela coisa de " não devo nada para ninguém, ninguém paga minhas contas, não preciso agradar ninguém"...

Peraí. 

Esse não preciso agradar ninguém não ficou tão bom... Ainda estou no treino para me livrar dessa máxima e lá se vão 8 anos. 

Talvez até tenha sido esse "preciso agradar alguém" que me ajudou a deixar o "bicho" chegar. 

Chamo de bicho, desde sempre. Me ajuda e entender como algo fora de mim e que posso matar com uma boa vassourada, embora precise de muita coragem e força. 

A gente não brinca com depressão. É coisa séria e incontrolável, se vc não pedir ajuda.

E foi o que eu fiz. 

Demorou, mas ano seguinte, bem nos meus 61 anos, estava me dando de presente a festa de aniversário que eu sempre quis e a sonhada aposentadoria. 

Um ano e pouco de farra, fazendo um monte de coisas novas e gostosas (talvez, por isso, me distrai dos meus escritos) , preparando um show solo em homenagem à minha mãe (conto mais essa coisa outra hora), e chega a pandemia. 

Essa estória precisa de tempo para explicar, porque, para falar a verdade, ainda não absorvi bem. Dois anos e pouco de reclusão, medo e, ao mesmo tempo, uma profunda conexão com os queridos. E, por causa disso também, não escrevi. 

Passada a pandemia, aprender a viver em comunidade de novo, voltar a preparar e fazer o show, viajar (viagem que dura até agora) num curso de meditação avançada que mudou minha vida. 

E eu continuei não escrevendo. Precisava acomodar tanta mudança antes de colocar para fora. 

Parece que agora a coisa está fluindo.

Tô me divertindo aqui. 


Meu pai ainda está aqui

 Falo pouco dele. 

Ainda não entendi muito bem a misteriosa relação que nós dois tínhamos.

Ao mesmo tempo em que ele me ensinou coisas muito importantes para alguns dos meus sucessos na vida (lembrando que sucesso é um conceito relativo), a gente batia de frente como dois touros numa briga pela vida. Talvez porque eu seja muito mais parecida com ele do que eu gostaria...

A gente quer ser a gente, única, e quando vê refletida no espelho uma imagem que lembra pai ou mãe (o que é mais do que óbvio, porque vivemos os primeiros anos e experiências com eles) a coisa pode ficar estranha.

A não ser que vc descubra, estudando algumas correntes filosóficas e espirituais, que sua ancestralidade é sua base e, deve ser honrada e agradecida, pois sem ela, você não existiria. Aí tudo se encaixa melhor. 

Estou no meio termo, ainda...

Mas, voltando a ele, ontem fomos comer num restaurante chique, para comemorar o aniversário do Ton (ele escolheu, eu não tinha a menor ideia onde seria - sou boa de dar presente) . Ele não gosta de comemorar aniversário, mas gosta de comer, e é esperto de não recusar presentes desse tipo !

Ao chegarmos, pasmem, o garçom puxou a cadeira para mim. E os vários moços bonzinhos que lá estavam, repetiram o gesto cada vez que que me levantei para pegar comida (e que comida boa!).

Feministas presentes - eles fizeram isso para o Ton também...

Lembrei do meu pai na hora!!! Ele era desse tipo de pessoa. Fazia essas coisas que hoje muitas mulheres acham ofensivas (e eu não sei abrir uma porta de carro sozinha? não sei puxar uma cadeira para sentar? não sou inválida só por ser mulher). 

E sabe o que mais? Apesar de enxergar a necessidade do feminismo nos dias de hoje e para sempre, até hoje eu gosto disso. Não percebo a coisa como uma ofensa às minhas habilidades, mas sim como um "deixa eu facilitar a coisa para você como um carinho, como o sinal que eu te percebo e quero ver você bem". 

Creio que essas coisas no meu pai, que hoje teria 90 anos, talvez até fossem ditadas pela ideia que corria na sociedade (corria ou corre?) de que o homem era o provedor, o cuidador, o mais forte... Mas me lembro tão bem de eu indo com ele ao hospital, para fazer o tratamento de câncer no cérebro, já perto da ida dele, e, ao caminharmos na calçada de encontro ao táxi que o levaria para casa, ele tendo o cuidado de me colocar do lado de dentro da calçada, mesmo com toda dor e medo que devia estar sentindo (se um carro perder o controle e subir na calçada, eu te protejo, ele dizia). 

Meu irmão demorou para chegar. Enquanto ele não vinha, e crescia o suficiente para poder fazer companhia a ele, era eu quem ajudava a limpar e consertar o carro e outras coisas. Me lembro bem da vez em que desmontei o  meu radinho de pilha e montei de novo só para descobrir se eu conseguia (e, hj vejo, para mostrar a ele que estava dando valor ao que ele me ensinava).

Ontem deu uma saudade muito grande dele. Também ao perceber a toalha de pano e o guardanapo de pano, branco e imaculado, que daria tanto prazer a ele!!! Quando começou a onda de toalhas de plástico e guardanapo de papel, ele quase que definhava nos restaurantes. 

Ao limpar a boca no guardanapo, depois de uma comida que ele adoraria, eu pensei: paião, essa é para você! 

Saudade.



terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

E se...

O sol surgia atrás das montanhas, fazendo brilhar tudo à sua volta.

Não que a gente não saiba que é a terra que se movimenta e não o sol, mas é tão poético pensar numa bola de fogo que caminha nos céus, vindo nos visitar e se despedindo todos os dias ... 

Vários raios de luz cruzavam as frestas da persiana na janela do quarto, mandando embora o sono que até já estava durando muito. 

Ela acordou feliz. Sabia que o dia seria mágico, uma vez que finalmente teria um encontro com aquela pessoa que aguardava a tanto tempo. Muitas coisas para providenciar ( qual roupa? quanto tempo antes chegar? qual assunto falar primeiro?), saiu da cama como que flutuando

Peraí...

Tá muito meloso. Melhor começar de novo. 

O sol surgia atrás das montanhas, fazendo brilhar tudo à sua volta.

Algumas nuvens cobriam seus raios, formando desenhos no céu, como numa pintura.

Enquanto a luz se espalhava lentamente pelo quarto, toca o despertador e ela abre os olhos, despertando do sono dos justos, com um largo sorriso no rosto. 

Pensando bem, não tão "justa" assim. No dia anterior ela havia dado uma senhora puxada de tapete em uma colega de trabalho. Puxada tão bem dada que teria rendido uma promoção há muito esperada. Agora era assumir o cargo e comemorar 

Peraí...

Não sei se quero entregar o caráter dela logo de cara. Melhor começar de novo.

O sol surgia atrás das montanhas, fazendo brilhar tudo à sua volta.

Como não tinha cortina na janela, a luz inundou o quarto, e, no meio do silêncio, se ouve um palavrão em alto e bom som.

Ela havia chegado tarde do segundo emprego, e fazia menos de quatro horas que havia pegado no sono. Faltavam ainda umas duas horas para chegar no primeiro trampo (e nesse tempo tinha que descontar 45 minutos num ônibus lotado e, provavelmente, de pé). "Que droga essa desse sol que podia ficar no canto dele e não me tirar o pouco descanso que eu tenho" , pensou ela

Peraí...

Tá tétrico demais. Já começar reclamando pode não ser um bom atrativo para o leitor. Melhor começar de novo. 

O sol surgia atrás das montanhas, fazendo brilhar tudo à sua volta.

A luz entrava pela janela e se refletia nos cristais do móbile enchendo as paredes do quarto de pequenos arco-íris.

Saindo de um sonho interessante, ela abre os olhos devagar, espreguiça longamente, respira fundo algumas vezes.

Banheiro rápido (que inclui limpeza da língua e tudo), volta para o quarto, sentando no tapete de yoga. Mais respirações profundas, olho fechado, se concentra então em observar a respiração e trazer a mente para o mesmo lugar em que estava quando dormia, só que, agora, consciente 

Peraí...

Esse abre e fecha o olho, não expliquei o sonho, que podia dar cor ao texto... Melhor começar de novo. 

O sol surgia atrás das montanhas, fazendo brilhar tudo à sua volta.

No meio de uma onda de calor, ela ajeitou melhor os pés, que estavam meio que para fora da sombra que a ponte fazia no papelão que tinha colocado no chão para dormir. 

A vontade era não levantar, dormir o dia todo, esquecer, mas dali a pouco o barulho dos carros passando impediria qualquer descanso. Mas, para que levantar, se essa luz de final de túnel que as pessoas dizem que existe está apagada há muito tempo? Ela se sentou e

Peraí 

Melhor não escrever sobre coisas que eu não vivo, sem estudar um pouco. Posso falar besteira e da grossa.

 Melhor começar de novo????


sábado, 15 de fevereiro de 2025

Minha vida já foi muito divertida

 Assistindo um show de um amigo agora (só músicas do Queen e ele canta pra caramba), lembrei que já cantei ao lado dele em dois casamentos.

Essa lembrança trouxe mais um carrossel delas: cantei solo num casório; tive uma banda por quase 20 anos que cantou em Sescs, bares, festas, abriu show dos Demônios da Garoa, Beth Carvalho, Quarteto em Cy, Elba Ramalho, cantou num comício do Lula e defendeu uma música num festival da Globo; fui puxadora de samba de uma escola em dois carnavais; cantei numa pancada de corais. Resumindo: eu me divertia para caramba!

Depois disso, e muitos anos depois, fiz um show solo (2022) em homenagem a minha mãe, que foi uma das coisas mais lindas que eu vivi. Mas foi ele e só ele num tempo muuuuuito longo. 

Tudo foi parando quando fui trabalhar em Sampa, no emprego da minha vida, que me dá sustento hoje e tempo para voltar a me divertir. A gente não pode ter tudo na vida, mas devia poder.

Para falar a verdade, minha vida agora tá uma pasmasseira (minha avó aqui falando... e.. será que é assim que escreve?).

Se achei tanta coisa divertida para fazer com o tempo tão curto (saia do trabalho, ia cantar, dormia quatro horas e voltava pro trabalho), agora devia ser mais fácil, né?

Minha natureza é alegria.

Foco nisso. 




sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Voltei

 Nossa! Quanto tempo!!!

Até me senti culpada! Por um motivo qualquer acabei vindo parar aqui essa semana e descobri que estive muda por muito tempo. 

Li muita coisa (voltar no tempo é bom, mesmo que a gente leia coisas que mostram nossas vulnerabilidades), e percebi que escrevo bem! 

Claro que, na mesma hora que percebi esse fato, veio o pensamentozinho que não podia ficar no canto dele: "como eu escrevi isso? não parece que fui eu..."

Quando ele chegou, veio junto um espanto por perceber que eu poderia ser uma escritora até razoável, se seja lá o que for que tem dentro da minha cabeça não me impedisse de continuar escrevendo. 

E esse sei lá o que (terapia resolveria, mas é tão demorado e cansativo!) me fez demorar tanto a lembrar que posso fazer isso e que isso me dá muito prazer. 

Que diabo é essa coisa que me impede de fazer algo que me dá prazer??? 

Esse assunto tem rondado a minha atenção esses dias. 

Tenho deixado de fazer muitas coisas que me fariam bem, que me dariam mais saúde, mais energia, mais vida. 

Eu até tento. Mas, começo e paro no meio; marco hora para fazer e esqueço; compro um curso e só faço a primeira aula; desisto antes de começar. 

Derrotismo puro né? Não tô com peninha de mim não. Tô até meio brava, por que minha lógica não está conseguindo reverter a preguiça. 

Sei lá até se é preguiça.

Aposentada que estou (não contei para vocês, né?), pós covid e pandemia (que sufoco!), tô aqui na terceira adolescência, com um corpo que até está melhor do que eu imaginava, e uma mente mais curiosa ainda. 

O que vou fazer do resto da minha vida? 

Parece importante responder essa pergunta, porque esse resto pode ser muito pouco e não parece boa ideia desperdiçar esse tempo. 

Quando tinha ocupação o dia todo, não dava tempo de pensar nisso. Agora, tempo é o que não falta, e, por muita sorte, corpo e cérebro estão prontos para as novidades que posso abraçar.

Falta só descobrir os ques. E como. E quando. 

Mas, antes disso, tenho que achar a "coisa" atrapalhona. Vai que eu descubro e não faço? 

 Meditar é urgente. 



domingo, 28 de agosto de 2016

Tem dia em que as coisas não funcionam

Tem dias em que as coisas não funcionam.
O tempo não passa. A angústia pelo tempo que não passa não passa.
A tristeza pela angústia pelo tempo que não passa não passa.
A vontade de morrer pela tristeza pela angústia pelo tempo que não passa não passa.
E a gente vive assim mesmo.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Nada funciona

Essa semana, ao me despedir do amigo do meu filho, um médico oftalmologista, no final de uma consulta, acabei rindo com ele, ao mencionar que, nos últimos tempos, havia me aproximado de vários amigos dele, tantas as funções do meu corpo que estão deixando a desejar...
Ele havia acabado de me contar que eu estava com início de catarata, logo, voltarei lá daqui a uns tempos.
Semana que vem vou numa outra amiga dele, uma dermatologista. E na outra, vou conhecer meu novo endocrinologista que, espero, descubra o porque eu tomo remédio para a tireóide e os sintomas não se vão.
Meu filho agora está procurando para mim um gastroenterologista, já que a ressonância da última pedra no rim mostrou que estou com gordura no fígado.
Bom .. escrevendo isso, me veio à lembrança um post de uns anos atrás, onde eu já reclamava de um corpo que não dava conta das minhas vontades.
A coisa não melhorou. Definitivamente.
Yoga, exercícios e alimentação melhor não funcionaram como eu imaginava.
To cansada.
De mim e da minha pouca força.
Pronto. Desabafei.
Agora vou lá tentar descobrir como reverter isso. De novo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O acaso

Costumo caminhar nas ruas do bairro, alguns dias, pela manhã. O bairro é tranquilo e o movimento dos carros quase inesistente.
Mesmo assim, quando o Ton me acompanha, sempre insiste que caminhemos na calçada, principalmente quando ouve o barulho de algum carro. Ele sempre diz: nunca se sabe...
Eu, até o final de semana passado, ouvia, "obedecia" quando ele estava junto, mas caminhava pela rua mesmo, quando só. As calçadas tem muitos obstáculos, não tem o mesmo tipo de piso o tempo todo, atrapalham mesmo a caminhada.
Mas, o que me faz mudar de idéia a partir de agora foi um acontecido na saída de uma festa de casamento, no sábado passado.
O local era numa rua com muitos terrenos baldios que nem calçada tinham. Eu estava com uma sandalia alta e, decididamente, andar no meio do mato não era a melhor opção, ainda mais com a minha recente fascite plantar recém curada.
Na ida para a festa até fomos pelo meio da natureza, eu me segurando no Ton para não cair, andando como se estivesse surfando em meio às ondas, num equílíbrio só.
Festa boa, cervejinha que até eu tomei, tão calor estava.
Saímos de lá já era noite, uma noite estrelada por sinal.
Já quase na porta, vimos a noiva ali pertinho e decidimos dar mais um beijinho acompanhado de mais votos de felicidade.
Ao sair, como estava escuro, comentamos que deveríamos ir pela rua, para eu não cair (os dois tinhamos bebido um pouco e equilíbrio não era o nosso forte naquele momento). Percebemos que havia muito pouco transito naquela hora e achamos que não haveria perigo.
Havia uma fila enorme da carros parados na rua e o nosso estava quase no final da rua, uns 15 carros à frente.
Para variar, o Ton olhou a fila de carros e a estreiteza da rua e comentou que devíamos mesmo ir pelo terreno baldio - "a gente vai devagar", disse ele.
Nesse mesmo momento ouvimos uma brecada bem na nossa frente, e acompanhamos a descida frenética de um carro desgovernado, que bateu com força num carro que estava três carros à frente da porta do local, onde estávamos.
O carro de um dos convidados da festa foi empurrado para dentro do terreno baldio, tal a força da batida. O som de lata batendo com lata é sempre assustador, não importa quantas vezes o ouçamos.
Andamos para perto do acontecido e vimos que os ocupantes do carro não haviam de machucado e que o carro havia parado míseros dois centimetros antes de acertar um outro carro que estava na frente do carro abalrroado.
Me recordo de ter comentado a sorte do dono desse segundo carro, que, por ter parado uns metros à frente e ter chegado uns segundos antes do motorista do carro batido, havia escapado da bagunça que é ter que arrumar um carro depois de uma batida.
Voltando para casa, depois de passado o efeito da adrenalina que nessas horas nos inunda, percebemos uma coisa mais séria ainda: não tivessemos nós nos detido para um último beijo na noiva e tivéssemos decidido ir para o nosso carro pela rua, sem pestanejar, poderíamos estar passando pelo carro abalrroado exatamente na hora do choque!
Fossem quais fossem as consequencias do fato, talvez eu não estivesse aqui escrevendo agora e nem o Ton lendo isso daqui a pouco.
Coisas da vida, acasos que ocorrem mesmo que a gente não perceba.
Como diz a música daquela banda famosa: " o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído".
Assim é.


http://www.youtube.com/watch?v=YOJiYy1jgRE

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Medo

Medo que a minha loucura seja maior que a minha alegria e que, então, tudo acabe.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Dias

Tem dias em que o melhor é dormir.
Ponto.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ela chegou - Parte 4

 Dessa vez eu estava lá. Ouvi o primeiro choro. Vi a primeira vez que ela abriu o olho. Tranquila e forte, como o mar que a mãe dela tanto ama. Quando dorme, dá aquelas risadinhas rápidas, que todo bebê dá, mas, nela, esses sorrisos são mais doces. Meus olhos cheios de alegria veem tanta beleza e luz! Mais uma mãozinha para eu segurar. Preciso de mais braços! Bom demais!

Zoo

Se eu fosse uma borboleta, pousaria de flor em flor, sentindo o seu perfume e misturando as minhas multicores maravilhosas às delas.
Se eu fosse um tigre, correria nas matas, conquistaria meu espaço e rugiria alto e forte, quando alguém avançasse no  meu território ou ameaçasse meus filhotes.
Se eu fosse um pássaro, sairia voando pelo céu, caminhando entre as árvores, sentindo o vento batendo no meu corpo, o sol aquecendo minhas penas, a liberdade de ir e vir, sem hora, nem destino.
Se eu fosse uma formiga, trabalharia sem parar, para manter minha casa em ordem, equipada e segura.
Se eu fosse uma cigarra, cantaria o dia todo, feliz por poder espalhar minha voz pelos cinco ventos.
Se eu fosse um elefante, escolheria para guardar na memória as coisas mais lindas, mais poéticas, mais profundas e interessantes.
Se eu fosse um cão, olharia para as pessoas com o amor incondicional de quem não vê ódio, nem dor, só amor.
Se eu fosse um gato, me aconchegaria num cobertor quentinho, e ficaria observando o mundo e as pessoas, alternando com períodos de sono repletos de sonhos coloridos.
Se eu fosse um cavalo, carregaria nas costas as pessoas amadas e as levaria a passeios pelos lugares e situações mais lindas do mundo.
Se eu fosse um papagaio, aprenderia a falar palavras que fizessem cada pessoa que surgisse sorrir e se sentir especial.
Dentro de mim, há um zoológico, sem grades, sem muros. E eu não sabia!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dessa vez é diferente

Primeira vez na vida que atravesso um oceano dentro de um avião.
Só por me saber em cima de tanto mar, por tanto tempo, fico pensativa.
Já fiz testamento, seguro de vida, deixei tudo arrumado em casa....
Quem faz isso toda hora deve estar me achando uma boboca.
Mas só eu sei como bate o meu coração e como, às vezes, nem toda a yoga do mundo pode combater medos profundos que a gente nem sabe que tem.
Não tenho medo de morrer. Tenho medo de não viver.
Tem tanta coisa linda para eu ver e fazer ainda, tanto neto para ver crescer e desabrochar, tanta risada para dar com os filhos!
Sei que o que me aguarda nesses 10 dias será algo mágico, que me abrirá espaços e caminhos que eu posso nunca ter imaginado. A preparação da coisa já foi catártica.
Estou mesmo muito cansada de pensar. Outros ares me trarão de volta mais leve, mais plena, mais preparada e animada para a revolução do dia-a-dia, fora e dentro de mim.
Que seja.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Menopausa - parte 2

Mais uma descoberta: ele gosta de álcool! Na hora pensei que poderia ser a pipoca, que eu comia enquanto assistia Cosmópolis com o Ton (nossa, que filme mais doido!). Mas seria muita ingenuidade minha continuar acreditando nisso. Óbvio que foi a cerveja, que eu tomei só por tomar, já que nem gosto.
Dia desses vou experimentar com vinho, mas vou me preparar antes, porque vinho eu gosto e muito.
Aliás, estou escrevendo a essa hora da manhã de um domingo porque, para variar, não dormi quase nada, de novo.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Menopausa - parte 1

Passei essa madrugada alternando entre sono e chuveiro à domicílio (ou seria camicílio?). Hoje foi um pouco pior do que nos demais últimos 120 dias. Mais vezes, com maior duração.
Acordei (ou seria levantei da cama, já que eu quase não dormi) e, antes mesmo da café da manhã, passeei pela internet procurando uma luz no final do túnel.
Vi de tudo, desde banhos frios alternando com quentes até sucos, acupuntura, exercícios de respiração, vitamina E, chás e remédios naturais diversos, passando por limão com bicarbonato (que eu já venho tomando) e, claro, TRH. Tudo para parar de ter esses calores absurdos que eu, na minha vã esperança, achava que não ia ter.
Antes da coisa acontecer a gente sempre acha que nunca vai acontecer com a gente. E não se prepara.
Soubesse eu da coisa, teria comido mais soja, grão de bico e sei lá mais o quê, teria feito exercícios regulares a vida toda, me alimentado o mais naturalmente possível e feito yoga desde os 15 anos, fora horas e horas de meditação, para acalmar a mente.
Dizem que quem faz isso, e bem feito, nem percebe que está na menopausa. Deviam ensinar essas coisas na escola!
Correndo atrás do preju, li de tudo um pouco e acabei parando quando  li o que uma sensata cinquentona escreveu no seu blog: " se a gente for fazer tudo o que falam que é bom para a menopausa na internet, a gente passa 18 horas por dia fazendo/se preocupando e acaba não vivendo".
Ela está certa.
Comecemos, pois, com o que é fácil: observar.
Vou me dar um tempo para utilizar apenas uma dica: quando perceber a coisa vindo, comece a respirar bem profundamente e devagar e, antes de mais nada: NÃO SE APAVORE!. As ondas são mais fortes e duram mais quando a gente está estressada e quem está do lado, se não estiver perto demais,  nem vai perceber. Enquanto isso, para me distrair, observo o que fiz/comi ou como estava meu estado de espírito, logo antes do acontecido.
Hoje já tive duas dicas : comer pão de chocolate com café é alimento para a coisa! Demais a rapidez como ela aconteceu! Eu estava na metade do pão, por sinal uma delícia, quando minha testa começou a brilhar. Eu estava lendo, mas tenho certeza que o que eu lia não era nem um pouco estressante, logo, ou o pão ou o café foram os culpados. Tenho que experimentar de novo, um de cada vez, para ver qual o culpado. Espero muito que não sejam os dois, mas, acho que quem espera, nesse caso, não alcança.
Enquanto eu escrevia, agorinha, aconteceu uma rapidinha (seria tão bom se fosse uma daquele outro tipo!). Eu não estava estressada e não tinha comido nada de especial antes, logo, vai ser classificada na categoria "motivo desconhecido".
Vou continuar com o limão com bicarbonato, que já virou um hábito e com chuchus e mais chuchus, que segundo a minha professora de yoga, equilibram o yang exacerbado.
Aliás, vou continuar também com o outro Yang, o doutor, acupunturista e especialista em medicina chinesa que está tentando domar o bicho.
Tomara que ele consiga, LOGO!!!!!!





segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ele chegou - parte 3

Ele veio rápido, mas suavemente, já sorrindo.
Segurar no colo, pela primeira vez,  uma vidinha tão pulsante foi a coisa mais importante do ano.
Hoje ele sorri para qualquer um, dá gargalhadas quando se brinca com ele e  cativa todas as pessoas que passam por perto.
Leonino doce. Bem humorado, como dizem alguns: "ele é um camaradinha muito simpático".
Outro dia ele se aconchegou no meu peito e ficou um tempão, quietinho, eu escutando o coração dele e ele escutando o meu...
Voltei para casa chorando naquele dia.
O som do coração dele não me saiu da alma por muitos dias.
Benvindo amorzinho. Vamos nos divertir muito!