Não precisa ser um homem perfeito.
E sim, um homem que durma abraçado comigo, nas noites frias.
E sim, um que me dê abraços fortes, de manhã, me desejando um bom dia com palavras sussurradas ao meu ouvido.
E sim, que goste da andar de mãos dadas, de ler junto tomando café, de caminhar na beira do mar.
E sim, um que arrume a cama, que ponha o lixo para fora e que lave as louças mais difíceis, coisas que eu detesto fazer.
E sim, um que me faça um cafezinho, depois do almoço, quente como o beijo que venha junto.
E sim, um que cante para mim, que me faça serenatas, que componha e diga coisas lindas para eu ouvir.
E sim, um que tenha um sorriso doce, uma inteligência acima da média, um humor admirável.
E sim, um que me aceite como eu sou, mas que, nem por isso, deixe de me incentivar a crescer como gente.
E sim, um que não desista de seus sonhos e que tente me impedir de fazer o mesmo com os meus, se eu estiver naquelas fases loucas de TPM prolongada.
E sim, um que goste de ler e estudar, e que goste de conversar comigo.
E sim, um homem que se orgulhe de me ter por perto.
E sim, um que esteja a meu lado nas minhas descobertas doloridas e profundas sobre os meus mundos - interior e exterior, e que não se ria das minhas dificuldades e defeitos.
E sim, um que me abrace quando eu choro, que ria muito comigo quando eu estiver feliz e que silencie quando for necessário (e, o mais importante: saiba diferenciar esses tres momentos).
E sim, um que seja honesto - consigo próprio e comigo.
E sim, um que tenha compaixão - por todos os seres vivos desse planeta e daqueles que possam existir em outros, sabe-se lá.
E sim, um que possa ser um refúgio ou uma festa, dependendo do nosso momento.
Não precisa ser um homem perfeito.
Só um homem real.
sexta-feira, 23 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
Pensamentos
Desde a morte do meu pai volta e meia me vem à mente a idéia exasperante de que não sei para onde foram os pensamentos dele. Sei que o corpo de desfez com o tempo e voltou para a terra. Sei que seus objetos pessoais foram distribuídos pelos familiares. Mas, e os pensamentos, onde estão?
Tanta coisa ele sentia, tanta coisa ele dizia!
Era um mundo só dele, do qual pouco restou, uma vez que ele não era de escrever muito.
Ele fotografou muito e tinha muito orgulho das lembranças que ele colhia daqueles que amava. Mas, nessas fotos sempre aparecia como a mão, o olho e o coração que estava por trás da imagem. Dá para sentir um pouco dele quando olhamos os muitos álbuns que recheiam o armário da minha mãe.
Mas, e os pensamentos?
Onde está tudo em que ele acreditava, onde residem hoje as coisas pelas quais ele lutou a vida toda, os conselhos que ele nos dava quando nos via atrapalhados com a vida, o amor que ele sentia por nós, que se expressava naqueles olhares profundos e nos elogios, sempre presentes?
Onde estão tudo o que ele aprendeu, as fantasias que criou, as lembranças de uma vida inteira?
Só ele sabia daquele mundo e junto com ele aquele mundo se foi....pra onde?
Se eu morrer amanhã, faltará tanta coisa!
Nem eu sei tudo o que tenho dentro de mim, mas queria poder descobrir e compartilhar, antes de me ir.
Quem sabe, se eu conseguir fazer isso, não encontro um pouco dos pensamentos do meu pai?
Tanta coisa ele sentia, tanta coisa ele dizia!
Era um mundo só dele, do qual pouco restou, uma vez que ele não era de escrever muito.
Ele fotografou muito e tinha muito orgulho das lembranças que ele colhia daqueles que amava. Mas, nessas fotos sempre aparecia como a mão, o olho e o coração que estava por trás da imagem. Dá para sentir um pouco dele quando olhamos os muitos álbuns que recheiam o armário da minha mãe.
Mas, e os pensamentos?
Onde está tudo em que ele acreditava, onde residem hoje as coisas pelas quais ele lutou a vida toda, os conselhos que ele nos dava quando nos via atrapalhados com a vida, o amor que ele sentia por nós, que se expressava naqueles olhares profundos e nos elogios, sempre presentes?
Onde estão tudo o que ele aprendeu, as fantasias que criou, as lembranças de uma vida inteira?
Só ele sabia daquele mundo e junto com ele aquele mundo se foi....pra onde?
Se eu morrer amanhã, faltará tanta coisa!
Nem eu sei tudo o que tenho dentro de mim, mas queria poder descobrir e compartilhar, antes de me ir.
Quem sabe, se eu conseguir fazer isso, não encontro um pouco dos pensamentos do meu pai?
quinta-feira, 15 de março de 2012
Bipolar
Menopausa é fogo!
Eu sempre fui terrível, gênio forte, brigona. Não tinha o lado meio que de "coitadinha", de achar o mundo difícil e escuro. Problemas não eram problemas, eram desafios e eu tratava deles até com um pouco de deselegância (para não usar uma palavra mais forte, mas mais depreciativa para mim) para com quem não os atacava do mesmo modo que eu (coitados dos meus queridos mais próximos....).
Depois do último post (ontem? anteontem?) já vivi o suficiente emocionalmente para dar a volta ao mundo duas vezes, sem descanso.
Nesse exato momento, estou feliz como se tivesse ganho na loteria.
E, não aconteceu nada de mais.
Tudo continua igual. Exatamente como estava quando escrevi que estava difícil até sair da cama!
Voltou a vontade de cantar, de tocar (cajon, minha mais nova paixão), de rir, até de trabalhar!
Ombros leves, respiração tranquila, sorriso maroto enquanto escrevo.....
Hormonios, façam o favor de se ajeitar rapidinho! Estar bipolar é muito doido!
Eu sempre fui terrível, gênio forte, brigona. Não tinha o lado meio que de "coitadinha", de achar o mundo difícil e escuro. Problemas não eram problemas, eram desafios e eu tratava deles até com um pouco de deselegância (para não usar uma palavra mais forte, mas mais depreciativa para mim) para com quem não os atacava do mesmo modo que eu (coitados dos meus queridos mais próximos....).
Depois do último post (ontem? anteontem?) já vivi o suficiente emocionalmente para dar a volta ao mundo duas vezes, sem descanso.
Nesse exato momento, estou feliz como se tivesse ganho na loteria.
E, não aconteceu nada de mais.
Tudo continua igual. Exatamente como estava quando escrevi que estava difícil até sair da cama!
Voltou a vontade de cantar, de tocar (cajon, minha mais nova paixão), de rir, até de trabalhar!
Ombros leves, respiração tranquila, sorriso maroto enquanto escrevo.....
Hormonios, façam o favor de se ajeitar rapidinho! Estar bipolar é muito doido!
segunda-feira, 12 de março de 2012
Dias de Vivi
Tem dias (semanas?, meses?) em que o chão parece não existir. Nada é certo, nada parece seguro.
Os pés parecem caminhar sem rumo, suspensos num fio muito fino, tentando segurar o corpo em pé, sem tombos e rupturas maiores.
Mudanças .... mudanças ....
O coração bate rápido, o tempo todo, como quisesse compensar com oxigênio a falta de ar, a opressão no peito que teima em não se ir, mesmo com montes e montes de respirações profundas e lentas, daquelas que ensinam os bons professores de yoga.
Mudanças ..... mudanças ..... quais?
Dormir vira pesadelo, porque as mudanças querem vir de qualquer jeito e usam o inconsciente para se apresentar; acordar dá um frio na barriga, porque voce não sabe o que virá, nem quando, nem se será tão bom ou melhor do que o agora é.
Mudanças .... mudanças ..... o que?
Vontade de se aquietar, e deixar tudo acontecer por si ... parar de pensar, de analisar, de colocar tudo na balança e tentar ver o lado mais forte. Mas, e a responsabilidade?
Não saber do futuro machuca, dá medo, apavora mesmo, às vezes.
Mudanças .... mudanças .... como?
Meu mundo está grande, muito grande... quero muito e sei que não posso tudo.
Quero tudo e nem sei desse tudo o que melhor seria querer.
Como abraçar tudo o que me aquece o coração, o corpo e a mente e não sucumbir à exaustão?
Como deixar de abraçar coisas que me deixariam mais gente, sem sentir a dor da perda?
Mudanças .... Mudanças ...... só mudanças.
Os pés parecem caminhar sem rumo, suspensos num fio muito fino, tentando segurar o corpo em pé, sem tombos e rupturas maiores.
Mudanças .... mudanças ....
O coração bate rápido, o tempo todo, como quisesse compensar com oxigênio a falta de ar, a opressão no peito que teima em não se ir, mesmo com montes e montes de respirações profundas e lentas, daquelas que ensinam os bons professores de yoga.
Mudanças ..... mudanças ..... quais?
Dormir vira pesadelo, porque as mudanças querem vir de qualquer jeito e usam o inconsciente para se apresentar; acordar dá um frio na barriga, porque voce não sabe o que virá, nem quando, nem se será tão bom ou melhor do que o agora é.
Mudanças .... mudanças ..... o que?
Vontade de se aquietar, e deixar tudo acontecer por si ... parar de pensar, de analisar, de colocar tudo na balança e tentar ver o lado mais forte. Mas, e a responsabilidade?
Não saber do futuro machuca, dá medo, apavora mesmo, às vezes.
Mudanças .... mudanças .... como?
Meu mundo está grande, muito grande... quero muito e sei que não posso tudo.
Quero tudo e nem sei desse tudo o que melhor seria querer.
Como abraçar tudo o que me aquece o coração, o corpo e a mente e não sucumbir à exaustão?
Como deixar de abraçar coisas que me deixariam mais gente, sem sentir a dor da perda?
Mudanças .... Mudanças ...... só mudanças.
sábado, 30 de abril de 2011
domingo, 6 de março de 2011
Dor
Duro saber que fez o que deveria, mas com a intensidade errada.
Duro saber que sentimentos tem maneiras corretas para serem expressos, ou, pelo menos, precisam ser amortecidos para não se expressar com muita emoção..
Acho que preferia quando a razão imperava.
Duro saber que sentimentos tem maneiras corretas para serem expressos, ou, pelo menos, precisam ser amortecidos para não se expressar com muita emoção..
Acho que preferia quando a razão imperava.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Que venha 2011
Acabei de ler uma enquete na internet.
O título: "qual palavra define 2010 para você?".
Na hora, grita no meu cérebro: "revolução".
Apaixonada que sou por segurança, pé no chão, saber o que vai acontecer antes para me preparar, me vi envolvida, no último ano, num redemoinho de emoções, acontecimentos e pensamentos que fizeram com que eu me sentisse apenas uma expectadora de uma peça de teatro na qual eu parecia a protagonista, queria ser a diretora e deveria ser a produtora, mas não era nada disso.
Ainda não consegui estabelecer, depois da saída do último filho de casa, do nascimento de dois netos, da aposentadoria precoce da minha banda (ou talvez nem tão precoce assim, apenas abertura para outros horizontes), da doença e morte de meu pai e os pensamentos que vieram junto com elas, da mudança no tempo para namorar e curtir a vida a dois por conta das alterações em nossos trabalhos e do início da terapia no começo do ano, uma rotina que me trouxesse a segurança antiga de saber o que viria no dia seguinte e como agir para que ele fosse "normal".
Procurando palavras para escrever esse texto, me vejo falando em dias normais, como se a minha vida anterior a 2010 (ao final de 2009) fosse o natural e a de agora, uma bagunça sem sentido.
Curiosamente, a loucura de agora faz mais sentido do que a "segurança" de antes. Estou mais consciente, embora mais confusa. Aprendo a cada dia como lidar com a pressa com que as coisas se sucedem, aguardando com ansiedade a hora em que eu possa apreciar tudo o que está acontecendo, com um pouco mais de controle. Ou seria com um pouco mais de tempo para processar tudo e entender?
Todos falam que a adolescencia é um dos períodos mais complicados da vida.
Mentira deslavada!
Perto da loucura de hoje, a minha adolescência foi um lago tranquilo e límpido.
Loucura ou não, foi um bom ano.
Vivi muito, chorei menos do que deveria, me diverti com moderação (ano que vem conserto isso), aprendi coisas inestimáveis sobre mim e a vida, como por exemplo, a rir de mim mesma, me cansei demais e descancei de menos, descobri as maravilhas de ser avó. Estou aprendendo a ser mais paciente, mais tolerante, mais leve.
Planos para 2011?
Muitos!
Quem sabe eu não me candidato pro calendário de "senhoras" para ajudar uma ONG que vi no noticiário de hoje? Ou posso conseguir, de verdade, gravar meu CD? Posso virar uma expert em fotografia, e aprender a tocar razoavelmente percussão. Posso voltar a cantar, num outro formato. Posso encarar a meditação com mais seriedade e incorporar aos meus hábitos - vai que eu fico mais zen e tenho mais força ainda para encarar as outras vontades? Posso... Posso... Posso...
Poder, querendo, vira fazer.
Viva 2011!!
O título: "qual palavra define 2010 para você?".
Na hora, grita no meu cérebro: "revolução".
Apaixonada que sou por segurança, pé no chão, saber o que vai acontecer antes para me preparar, me vi envolvida, no último ano, num redemoinho de emoções, acontecimentos e pensamentos que fizeram com que eu me sentisse apenas uma expectadora de uma peça de teatro na qual eu parecia a protagonista, queria ser a diretora e deveria ser a produtora, mas não era nada disso.
Ainda não consegui estabelecer, depois da saída do último filho de casa, do nascimento de dois netos, da aposentadoria precoce da minha banda (ou talvez nem tão precoce assim, apenas abertura para outros horizontes), da doença e morte de meu pai e os pensamentos que vieram junto com elas, da mudança no tempo para namorar e curtir a vida a dois por conta das alterações em nossos trabalhos e do início da terapia no começo do ano, uma rotina que me trouxesse a segurança antiga de saber o que viria no dia seguinte e como agir para que ele fosse "normal".
Procurando palavras para escrever esse texto, me vejo falando em dias normais, como se a minha vida anterior a 2010 (ao final de 2009) fosse o natural e a de agora, uma bagunça sem sentido.
Curiosamente, a loucura de agora faz mais sentido do que a "segurança" de antes. Estou mais consciente, embora mais confusa. Aprendo a cada dia como lidar com a pressa com que as coisas se sucedem, aguardando com ansiedade a hora em que eu possa apreciar tudo o que está acontecendo, com um pouco mais de controle. Ou seria com um pouco mais de tempo para processar tudo e entender?
Todos falam que a adolescencia é um dos períodos mais complicados da vida.
Mentira deslavada!
Perto da loucura de hoje, a minha adolescência foi um lago tranquilo e límpido.
Loucura ou não, foi um bom ano.
Vivi muito, chorei menos do que deveria, me diverti com moderação (ano que vem conserto isso), aprendi coisas inestimáveis sobre mim e a vida, como por exemplo, a rir de mim mesma, me cansei demais e descancei de menos, descobri as maravilhas de ser avó. Estou aprendendo a ser mais paciente, mais tolerante, mais leve.
Planos para 2011?
Muitos!
Quem sabe eu não me candidato pro calendário de "senhoras" para ajudar uma ONG que vi no noticiário de hoje? Ou posso conseguir, de verdade, gravar meu CD? Posso virar uma expert em fotografia, e aprender a tocar razoavelmente percussão. Posso voltar a cantar, num outro formato. Posso encarar a meditação com mais seriedade e incorporar aos meus hábitos - vai que eu fico mais zen e tenho mais força ainda para encarar as outras vontades? Posso... Posso... Posso...
Poder, querendo, vira fazer.
Viva 2011!!
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