segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dessa vez é diferente

Primeira vez na vida que atravesso um oceano dentro de um avião.
Só por me saber em cima de tanto mar, por tanto tempo, fico pensativa.
Já fiz testamento, seguro de vida, deixei tudo arrumado em casa....
Quem faz isso toda hora deve estar me achando uma boboca.
Mas só eu sei como bate o meu coração e como, às vezes, nem toda a yoga do mundo pode combater medos profundos que a gente nem sabe que tem.
Não tenho medo de morrer. Tenho medo de não viver.
Tem tanta coisa linda para eu ver e fazer ainda, tanto neto para ver crescer e desabrochar, tanta risada para dar com os filhos!
Sei que o que me aguarda nesses 10 dias será algo mágico, que me abrirá espaços e caminhos que eu posso nunca ter imaginado. A preparação da coisa já foi catártica.
Estou mesmo muito cansada de pensar. Outros ares me trarão de volta mais leve, mais plena, mais preparada e animada para a revolução do dia-a-dia, fora e dentro de mim.
Que seja.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Menopausa - parte 2

Mais uma descoberta: ele gosta de álcool! Na hora pensei que poderia ser a pipoca, que eu comia enquanto assistia Cosmópolis com o Ton (nossa, que filme mais doido!). Mas seria muita ingenuidade minha continuar acreditando nisso. Óbvio que foi a cerveja, que eu tomei só por tomar, já que nem gosto.
Dia desses vou experimentar com vinho, mas vou me preparar antes, porque vinho eu gosto e muito.
Aliás, estou escrevendo a essa hora da manhã de um domingo porque, para variar, não dormi quase nada, de novo.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Menopausa - parte 1

Passei essa madrugada alternando entre sono e chuveiro à domicílio (ou seria camicílio?). Hoje foi um pouco pior do que nos demais últimos 120 dias. Mais vezes, com maior duração.
Acordei (ou seria levantei da cama, já que eu quase não dormi) e, antes mesmo da café da manhã, passeei pela internet procurando uma luz no final do túnel.
Vi de tudo, desde banhos frios alternando com quentes até sucos, acupuntura, exercícios de respiração, vitamina E, chás e remédios naturais diversos, passando por limão com bicarbonato (que eu já venho tomando) e, claro, TRH. Tudo para parar de ter esses calores absurdos que eu, na minha vã esperança, achava que não ia ter.
Antes da coisa acontecer a gente sempre acha que nunca vai acontecer com a gente. E não se prepara.
Soubesse eu da coisa, teria comido mais soja, grão de bico e sei lá mais o quê, teria feito exercícios regulares a vida toda, me alimentado o mais naturalmente possível e feito yoga desde os 15 anos, fora horas e horas de meditação, para acalmar a mente.
Dizem que quem faz isso, e bem feito, nem percebe que está na menopausa. Deviam ensinar essas coisas na escola!
Correndo atrás do preju, li de tudo um pouco e acabei parando quando  li o que uma sensata cinquentona escreveu no seu blog: " se a gente for fazer tudo o que falam que é bom para a menopausa na internet, a gente passa 18 horas por dia fazendo/se preocupando e acaba não vivendo".
Ela está certa.
Comecemos, pois, com o que é fácil: observar.
Vou me dar um tempo para utilizar apenas uma dica: quando perceber a coisa vindo, comece a respirar bem profundamente e devagar e, antes de mais nada: NÃO SE APAVORE!. As ondas são mais fortes e duram mais quando a gente está estressada e quem está do lado, se não estiver perto demais,  nem vai perceber. Enquanto isso, para me distrair, observo o que fiz/comi ou como estava meu estado de espírito, logo antes do acontecido.
Hoje já tive duas dicas : comer pão de chocolate com café é alimento para a coisa! Demais a rapidez como ela aconteceu! Eu estava na metade do pão, por sinal uma delícia, quando minha testa começou a brilhar. Eu estava lendo, mas tenho certeza que o que eu lia não era nem um pouco estressante, logo, ou o pão ou o café foram os culpados. Tenho que experimentar de novo, um de cada vez, para ver qual o culpado. Espero muito que não sejam os dois, mas, acho que quem espera, nesse caso, não alcança.
Enquanto eu escrevia, agorinha, aconteceu uma rapidinha (seria tão bom se fosse uma daquele outro tipo!). Eu não estava estressada e não tinha comido nada de especial antes, logo, vai ser classificada na categoria "motivo desconhecido".
Vou continuar com o limão com bicarbonato, que já virou um hábito e com chuchus e mais chuchus, que segundo a minha professora de yoga, equilibram o yang exacerbado.
Aliás, vou continuar também com o outro Yang, o doutor, acupunturista e especialista em medicina chinesa que está tentando domar o bicho.
Tomara que ele consiga, LOGO!!!!!!





segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ele chegou - parte 3

Ele veio rápido, mas suavemente, já sorrindo.
Segurar no colo, pela primeira vez,  uma vidinha tão pulsante foi a coisa mais importante do ano.
Hoje ele sorri para qualquer um, dá gargalhadas quando se brinca com ele e  cativa todas as pessoas que passam por perto.
Leonino doce. Bem humorado, como dizem alguns: "ele é um camaradinha muito simpático".
Outro dia ele se aconchegou no meu peito e ficou um tempão, quietinho, eu escutando o coração dele e ele escutando o meu...
Voltei para casa chorando naquele dia.
O som do coração dele não me saiu da alma por muitos dias.
Benvindo amorzinho. Vamos nos divertir muito!

domingo, 30 de dezembro de 2012

Mais um ano

Estranho ler coisas escritas há tanto tempo atrás. Mais estranho ver que tanta coisa aconteceu nesse último ano  e não se transformou em palavras escritas.
Mudanças grandes demais deixam a gente meio perdida.
Não achei o ano que passou divertido. Foi antes, esclarecedor e muito difícil. Mas, com um final surpreentemente leve.
Não adianta prever, não adianta desejar, não adianta tentar controlar.
Tudo acontece ao seu bel prazer, e, em algumas poucas vezes, é exatamente o que se queria; em outras, até melhor; em outras, nem chega perto; em outras, ainda, é  exatamente o contrário. E nada disso é bom ou ruim. Simplesmente é.
Eu recebo; eu aceito; eu agradeço.

E desejo,  embora saiba que isso pode não levar a nada, que estejam nos planos de 2013 para mim escrever mais, viver mais, amar mais.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Palavras de Cynira

Minha mãe acaba de me falar uma verdade tão simples, e, ao mesmo tempo, tão profunda!
No meio de uma conversa sobre relacionamentos (meu filho acaba de casar e nunca vi dois noivos tão felizes um com o outro num casamento antes) ela aparece com a frase: "se a gente tivesse coragem de tomar algumas decisões, não sofreria tanto na vida". Ela dizia que queria aquela felicidade dos noivos para todos aqueles que ela amava, e, mais do que isso, subentendia-se, na conversa, que ela própria desejava ter tido essa coragem e viver um amor que a sustentasse como mulher. Um amor que fosse tão especial quanto ela é.
Casamentos mexem com a gente mesmo.....
Espero que esse "desejo" dela ainda se realize.... para ela e para todos que ela ama.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Assim ou assado

Hoje deu vontade de escrever. Fazia tempo que essa vontade não se fazia tão forte.
Há uns dias venho pensando em como a vida corre. Foi outro dia que eu mudei de casa, de trabalho ( e tive a crise que dividiu minha vida em duas partes) e lá se vão 5 anos em que tudo correu demais, mais do que o vento em dia de temporal forte.
Difícil ter tanta coisa para pensar, tanta coisa para contar, tanta coisa para aprender e não achar tempo para tudo.
Ontem mesmo eu pensava que, antes dessa minha fase pensante, eu vivia meio que na correria, emendando um trabalho com outro, tendo tantos compromissos que não sobrava um minutinho para perceber se era feliz ou não. Vivia no limbo, entre uma aula e um período no trabalho, entre decorar musicas e cuidar da casa, entre ensaiar e cantar, entre cuidar dos filhos e do dinheiro que não vinha... Eu era infeliz, mas não sabia, e, por isso, vivia numa coisa que, na época, parecia paz.
No fundo eu sabia que não era feliz, mas, não tinha tempo de sofrer  com isso, porque não tinha tempo de pensar. A ignorância me salvava do sofrimento.
Na fase pós alienação (que já dura quase 5 anos), senti na pele e no coração, a dor que minha filha Fabi diz produzir beleza - muitos escritos lindos dela vem da incessante busca dela pela verdade, que, diga-se de passagem, é dolorida demais.
Tem dias em que eu desejo, do fundo da alma, parar de pensar um pouco, estar de cabeça vazia em braços que me dêem segurança e carinho. Descansar da necessidade de descobrir, de decidir, de escolher, de entender.
Dor o tempo todo cansa.
O último ano, em especial, foi muito complicado. Paradigmas quebrados (e promessas feitas a mim mesma tb), avaliação intensa daquilo que me fez ser o que sou hoje e das crenças que se solidificaram nesses anos todos (vale a pena ficar com elas? tem coisa melhor para acreditar?), balança usada minuto a minuto, pesando os prós e contras de ser assim ou assado e os motivos desse ser assim ou assado.
Ainda não sei se sou feliz. Sei que tenho muitos (muitos mesmo) motivos para ser feliz.
Mas, lá no fundo da minha mente tem um homenzinho (tem que ser um homenzinho, por que mulher seria mais doce e paciente) que não me deixa esquecer dos motivos para não ser feliz. Ou, pior, me faz perceber coisas de um modo tal que eu me sinto muito longe da felicidade (será que tenho mesmo motivos para não ser feliz ou ele me engana com seu sutil envolvimento?).
Se eu não pensasse tanto,  e com a vida que tenho agora, estaria me divertindo muito. Mas, seria real?
O que faço?
Paro de pensar? Descubro o que é real?
Mas, como?
Tenho que pensar......