segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O acaso

Costumo caminhar nas ruas do bairro, alguns dias, pela manhã. O bairro é tranquilo e o movimento dos carros quase inesistente.
Mesmo assim, quando o Ton me acompanha, sempre insiste que caminhemos na calçada, principalmente quando ouve o barulho de algum carro. Ele sempre diz: nunca se sabe...
Eu, até o final de semana passado, ouvia, "obedecia" quando ele estava junto, mas caminhava pela rua mesmo, quando só. As calçadas tem muitos obstáculos, não tem o mesmo tipo de piso o tempo todo, atrapalham mesmo a caminhada.
Mas, o que me faz mudar de idéia a partir de agora foi um acontecido na saída de uma festa de casamento, no sábado passado.
O local era numa rua com muitos terrenos baldios que nem calçada tinham. Eu estava com uma sandalia alta e, decididamente, andar no meio do mato não era a melhor opção, ainda mais com a minha recente fascite plantar recém curada.
Na ida para a festa até fomos pelo meio da natureza, eu me segurando no Ton para não cair, andando como se estivesse surfando em meio às ondas, num equílíbrio só.
Festa boa, cervejinha que até eu tomei, tão calor estava.
Saímos de lá já era noite, uma noite estrelada por sinal.
Já quase na porta, vimos a noiva ali pertinho e decidimos dar mais um beijinho acompanhado de mais votos de felicidade.
Ao sair, como estava escuro, comentamos que deveríamos ir pela rua, para eu não cair (os dois tinhamos bebido um pouco e equilíbrio não era o nosso forte naquele momento). Percebemos que havia muito pouco transito naquela hora e achamos que não haveria perigo.
Havia uma fila enorme da carros parados na rua e o nosso estava quase no final da rua, uns 15 carros à frente.
Para variar, o Ton olhou a fila de carros e a estreiteza da rua e comentou que devíamos mesmo ir pelo terreno baldio - "a gente vai devagar", disse ele.
Nesse mesmo momento ouvimos uma brecada bem na nossa frente, e acompanhamos a descida frenética de um carro desgovernado, que bateu com força num carro que estava três carros à frente da porta do local, onde estávamos.
O carro de um dos convidados da festa foi empurrado para dentro do terreno baldio, tal a força da batida. O som de lata batendo com lata é sempre assustador, não importa quantas vezes o ouçamos.
Andamos para perto do acontecido e vimos que os ocupantes do carro não haviam de machucado e que o carro havia parado míseros dois centimetros antes de acertar um outro carro que estava na frente do carro abalrroado.
Me recordo de ter comentado a sorte do dono desse segundo carro, que, por ter parado uns metros à frente e ter chegado uns segundos antes do motorista do carro batido, havia escapado da bagunça que é ter que arrumar um carro depois de uma batida.
Voltando para casa, depois de passado o efeito da adrenalina que nessas horas nos inunda, percebemos uma coisa mais séria ainda: não tivessemos nós nos detido para um último beijo na noiva e tivéssemos decidido ir para o nosso carro pela rua, sem pestanejar, poderíamos estar passando pelo carro abalrroado exatamente na hora do choque!
Fossem quais fossem as consequencias do fato, talvez eu não estivesse aqui escrevendo agora e nem o Ton lendo isso daqui a pouco.
Coisas da vida, acasos que ocorrem mesmo que a gente não perceba.
Como diz a música daquela banda famosa: " o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído".
Assim é.


http://www.youtube.com/watch?v=YOJiYy1jgRE

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Medo

Medo que a minha loucura seja maior que a minha alegria e que, então, tudo acabe.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Dias

Tem dias em que o melhor é dormir.
Ponto.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ela chegou - Parte 4

 Dessa vez eu estava lá. Ouvi o primeiro choro. Vi a primeira vez que ela abriu o olho. Tranquila e forte, como o mar que a mãe dela tanto ama. Quando dorme, dá aquelas risadinhas rápidas, que todo bebê dá, mas, nela, esses sorrisos são mais doces. Meus olhos cheios de alegria veem tanta beleza e luz! Mais uma mãozinha para eu segurar. Preciso de mais braços! Bom demais!

Zoo

Se eu fosse uma borboleta, pousaria de flor em flor, sentindo o seu perfume e misturando as minhas multicores maravilhosas às delas.
Se eu fosse um tigre, correria nas matas, conquistaria meu espaço e rugiria alto e forte, quando alguém avançasse no  meu território ou ameaçasse meus filhotes.
Se eu fosse um pássaro, sairia voando pelo céu, caminhando entre as árvores, sentindo o vento batendo no meu corpo, o sol aquecendo minhas penas, a liberdade de ir e vir, sem hora, nem destino.
Se eu fosse uma formiga, trabalharia sem parar, para manter minha casa em ordem, equipada e segura.
Se eu fosse uma cigarra, cantaria o dia todo, feliz por poder espalhar minha voz pelos cinco ventos.
Se eu fosse um elefante, escolheria para guardar na memória as coisas mais lindas, mais poéticas, mais profundas e interessantes.
Se eu fosse um cão, olharia para as pessoas com o amor incondicional de quem não vê ódio, nem dor, só amor.
Se eu fosse um gato, me aconchegaria num cobertor quentinho, e ficaria observando o mundo e as pessoas, alternando com períodos de sono repletos de sonhos coloridos.
Se eu fosse um cavalo, carregaria nas costas as pessoas amadas e as levaria a passeios pelos lugares e situações mais lindas do mundo.
Se eu fosse um papagaio, aprenderia a falar palavras que fizessem cada pessoa que surgisse sorrir e se sentir especial.
Dentro de mim, há um zoológico, sem grades, sem muros. E eu não sabia!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Dessa vez é diferente

Primeira vez na vida que atravesso um oceano dentro de um avião.
Só por me saber em cima de tanto mar, por tanto tempo, fico pensativa.
Já fiz testamento, seguro de vida, deixei tudo arrumado em casa....
Quem faz isso toda hora deve estar me achando uma boboca.
Mas só eu sei como bate o meu coração e como, às vezes, nem toda a yoga do mundo pode combater medos profundos que a gente nem sabe que tem.
Não tenho medo de morrer. Tenho medo de não viver.
Tem tanta coisa linda para eu ver e fazer ainda, tanto neto para ver crescer e desabrochar, tanta risada para dar com os filhos!
Sei que o que me aguarda nesses 10 dias será algo mágico, que me abrirá espaços e caminhos que eu posso nunca ter imaginado. A preparação da coisa já foi catártica.
Estou mesmo muito cansada de pensar. Outros ares me trarão de volta mais leve, mais plena, mais preparada e animada para a revolução do dia-a-dia, fora e dentro de mim.
Que seja.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Menopausa - parte 2

Mais uma descoberta: ele gosta de álcool! Na hora pensei que poderia ser a pipoca, que eu comia enquanto assistia Cosmópolis com o Ton (nossa, que filme mais doido!). Mas seria muita ingenuidade minha continuar acreditando nisso. Óbvio que foi a cerveja, que eu tomei só por tomar, já que nem gosto.
Dia desses vou experimentar com vinho, mas vou me preparar antes, porque vinho eu gosto e muito.
Aliás, estou escrevendo a essa hora da manhã de um domingo porque, para variar, não dormi quase nada, de novo.